terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ANTONIO MACHADO

Proverbios y cantares / Provérbios e cantares



I
Nunca perseguí la gloria
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse.
I
Nunca persegui a glória
nem conservar na memória
dos homens minha canção;
eu amo os mundos sutis,
ingrávidos e gentis
como bolhas de sabão.
Gosto de vê-los pintar-se
de ouro e de carmim, voar
no céu azul, tremular
subitamente e quebrar-se.

II
¿Para qué llamar caminos
a los surcos del azar?...
Todo el que camina anda,
como Jesús, sobre el mar.
II
Para que chamar caminho
a estes sulcos do azar?...
Tudo o que caminha anda,
como Jesus, sobre o mar.

III
A quien nos justifica nuestra desconfianza
llamamos enemigo, ladrón de una esperanza.
Jamás perdona el necio si ve la nuez vacía
que dio a cascar al diente de la sabiduría.
III
A quem nos justifica nossa desconfiança
chamamos inimigo, ladrão de uma esperança.
Jamais perdoa o néscio se vê a noz vazia
que deu a cascar ao dente da sabedoria.

IV
Nuestras horas son minutos
cuando esperamos saber,
y siglos cuando sabemos
lo que se puede aprender.
IV
Nossas horas são minutos
quando esperamos saber,
séculos quando sabemos
o que se pode aprender.

VI
De lo que llaman los hombres
virtud, justicia y bondad,
una mitad es envidia,
y la otra no es caridad.
VI
Daquilo que chamam os homens
virtude, justiça e bondade,
uma metade é só de inveja,
e a outra não é caridade.

VIII
En preguntar lo que sabes
el tiempo no has de perder...
Y a preguntas sin respuesta
¿quién te podrá responder?
VIII
Em perguntar o que sabes
tempo não hás de perder...
E a perguntas sem resposta
quem pode te responder?

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